Como preparar calda bordalesa para combater o míldio

                                                  COMBATE AO MÍLDIO

Atualmente no mercado encontramos vários  produtos com essa finalidade, o Milráz, será um dos mais conhecidos. No entanto, muito antes da sua existência, já os nossos avós combatiam este fungo, o míldio da videira, batateira, tomateiro..., de forma eficaz com  uma mistura de cal e sulfato de cobre, a calda bordalesa. 
Esta calda acaba tendo um efeito dois em um, ela também fortalece o sistema imunitário da planta, revitalizando-a, ficando mais resistente às doenças, devido à atuação do sulfato de cobre, fertilizante mineral,  que incentiva à produção de enzimas essenciais.
Batateira com míldio

Prevenir o aparecimento da doença, é o melhor remédio. Sendo um fungo, depois de instalado, alastra rapidamente, e o combate é difícil..
Os fungicida de contacto, quando se pulveriza a planta, desinfectam-na por cerca de 10 a 15 dias, atuando de forma preventiva com boa eficácia quando aplicados dentro dos intervalos de tempo recomendáveis. No entanto quando as condições climatéricas favoráveis ao desenvolvimento do fungo, persistem por demasiado tempo , o míldio acaba por surgir. 
Mesmo quando isso acontece, a calda bordalesa, embora bastante em desuso, mostra ser um produto, com resultados tão ou mais eficazes, e de baixa toxicidade.
                                     
                                             CALDA BORDALESA

 Esta solução, com propriedades fungicida, parece ter sido descoberta no século XIX  por um agricultor, ao caiar as uvas, na proximidade da estrada, para que não as roubassem.
Entretanto começou a observar que ao contrario das restantes, elas não eram afetadas por moléstias, como o míldio.
Um investigador, concluiu que se devia ao facto da cal ser preparada num pote de cobre, originando uma reação química que lhe acrescentava o sulfato de cobre.

Na verdade a cal desde há muito que é reconhecida pelas suas propriedades fungicida, quer na caiação de edifícios, impedindo desenvolvimento de bolores,  quer na conservação de madeira.

A calda bordalesa, actualmente pode-se comprar em saquetas, pré preparada, onde basta juntar água. No entanto não sendo adepto "do comprar feito", no processo da industrialização  perde-se sempre alguma coisa, sendo possível, faço eu.
Sendo um produto de fácil preparação, nada como manter as suas características artesanais .
Devido à sua utilização maioritariamente como fertilizante, nem sempre é fácil encontrar o sulfato de cobre em pequenas embalagens, quase sempre disponível em sacos de 25 quilos, no entanto procurando, encontra-se. Depois é comprar um saco de cal viva, normalmente de 5 kg,  e mãos à obra.
                                                 
                                   
                                                     PREPARAÇÃO
                                             - para 100 litros de calda  -


Penso que não existem dados científicos que indiquem com exatidão, as quantidades a utilizar na preparação desta calda, as opiniões divergem um pouco.
O meu amigo Marco , diz, " …o meu avõ utilizava, um quilo de cada, mas punha mais água, 150 litros, para ficar mais fraca e não queimar os rebentos…nas batatas, tomateiros…antes queria sulfatar todas as semanas em vez de fazer mais forte e curar de quinze em quinze dias. "





Nas várias pesquisas que fiz, a que reúne maior consenso será a dosagem, um quilo de cal um quilo de sulfato, no entanto ao adquirir os produtos, o senhor da loja, em modo de quem sabia o que estava a dizer, sugeriu-me que utiliza-se, quilo e meio de cal, para um quilo de sulfato, quantidades que também encontrei referidas, numa ou outra pesquisa.


Perante esta flexibilidade, importa saber que a calda não pode ficar demasiado ácida , tóxica para as plantas, nem demasiado alcalina, perdendo eficácia.
O Ph, deve situar-se entre 6,5…7, máximo 8, sendo a maior ou menor adição de cal que o fará oscilar, pelo que o mais correto será adquirir as pequenas faixas de teste, e proceder em conformidade com o resultado obtido.
Mergulhar a tira na calda durante três minutos e verificar o resultado, se for acima de 8, adiciona-se um pouco mais de cal, mexe-se bem e volta-se a verificar.  





O Sulfato de cobre, apresenta-se sob a forma de cristal, em pedra, refletindo um azul celeste.
Atualmente é comercializado, já britado, moído em pequenos cristais.
A dissolução em água não é rápida, requer várias horas, Para o diluir coloca-se a quantidade desejada dentro de um saco de pano, poroso, ou sobre um pedaço de pano idêntico, atando com um cordel, formando uma "boneca", em seguida, coloca-se dentro de um balde de plástico, com água suficiente para o cobrir, um, dois litros, e  mergulha-se por um período de 24 horas, por vezes é necessário mais tempo.    
Esta solução liquida, pode-se guardar numa garrafa, garrafão de plástico durante muito tempo sem se alterar, até um ano.
Dependendo da necessidade de cada um, podemos dissolver uma boa quantidade, de partes certas, um, dois quilos…para depois ir utilizando.

Se foi um quilo que dissolvemos, sabemos que dá para fazer cem litros de calda.
Mas se por exemplo, futuramente, a intenção é fazer 10 litros, para nos facilitar na dosagem a utilizar, vamos medir, e dividir, marcando no garrafão, de preferência com marcador preto, pequenos traços, correspondentes a dez partes iguais, utilizando cada uma delas quando necessário.
Se pretendermos fazer cinquenta litros, utilizamos cinco partes, e assim  sucessivamente.






Hidratar cal viva - Num recipiente de barro ou metal, (se for de plástico, derrete com o calor libertado) vamos colocar 1kg de cal viva em pó ou em pedra, e vamos hidrata-la. Adicionamos alguma água, mas não em quantidade que a deixe submersa, e aguardamos alguns instantes.
Entretanto começamos a observar o inicio da reação, começando  a libertar algum fumo, comportando-se como se estivesse a ferver.



Com uma vara, vamos mexendo lentamente, de modo a facilitar o processo, não esquecendo que durante o processo a temperatura da solução é superior a 200 graus, e pode haver espirro de salpicos, pelo que se deve ter o cuidado de não aproximar demasiado o rosto, devendo-se usar óculos de proteção e luvas.
Quanto maior a quantidade , maior a reação e o modo como se manifesta.
Passados alguns minutos deixa de fumegar, indicio que o processo está concluindo. continuamos a mexer, em simultâneo adicionamos alguma água, cerca de dois três litros, a necessária para obter o leite de cal.
Depois guardamos, e marcamos o garrafão para ir utilizando, como fizemos com o sulfato de cobre, dividindo a quantidade obtida em igual numero de partes.


A calda preparada com a dosagem referida, corresponde a  uma concentração de 2%, ( 1kg,cal + 1kg,sulf. / 100 lts ) no entanto na vinha, em época de recente brotação, floração, tempo quente, primavera / verão,  ou ainda para aplicar na horta no combate ao míldio do tomateiro, cebolo, pepineiro, pimenteiro… deve-se reduzir para cerca de metade,  ou seja, a mesma quantidade de produto para 150 a 200 lt de calda.
Não aplicar nas folhosas ( couves, alfaces…) .






Na preparação da calda, colocamos sempre em primeiro lugar a cal, adicionando depois o sulfato, ( diz o povo, " ele em cima d´ela" ) acrescentando água até ao total desejado, mexendo sempre.

A aplicação deve ser feita nas próximas 24 horas, de preferência pela manhã ou com tempo fresco.






Ao colocar a calda no pulverizador, devemos utilizar um crivo de malha fina, pois há sempre a presença de alguns resíduos sólidos que depois o vão entupir.
Se parar-mos de mexer a calda bordalesa, ao fim de alguns instantes, a parte sólida em suspensão, começa a depositar no fundo, onde se acumulam grânulos de sulfato, pelo que é necessário manter  a agitação da calda.
Não encher a totalidade do pulverizador, quando no dorso, facilita esse processo, fazendo-o oscilar de um lado para o outro, de vez em quando, agitando a calda.

Quando utilizamos um deposito para fazer calda para várias aplicações, durante o tempo em que estiver-mos a pulverizar, a calda em repouso, vai permitindo a formação dos pequenos grãnulos azulados, que se podem observar no fundo, no entanto basta mexer, para que os mesmos facilmente se dissolvam, não contribuindo para o entupimento da máquina, podendo, se necessário, ser introduzidos diretamente para dentro do pulverizador, retirando o crivo, agitando depois.


A aplicação do fungicida, deverá ser feita de quinze em quinze dias. Em períodos de risco elevado, deve-se reduzir para dez dias,  ou menos, pulverizando bem a planta com a solução.
Se a opção for um produto como o Milráz, pode-se juntar um pouco de enxofre, duas colheres de sopa, três de Milráz, por cada dez litros de água, a aplicação deve ser feita aproveitando a frescura da manhã, ou ao entardecer.


Para a preparação de dez litros de calda, num recipiente á parte, dissolve-se bem  o enxofre e o "Milráz". No pulverizador coloca-se parte da agua que se pretende utilizar, depois junta-se a solução do pó dissolvido, a  água que falta. e mistura-se bem com uma pequena vara. 

3 comentários:

  1. vejam o que sao produtos de qualidade

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  2. Excelente explicação de elaborar o produto e sua aplicação!

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